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The theory of endogenous money and the LM schedule: prelude to a reconstruction of ISLM
Thomas I. Palley

A moeda está no centro da macroeconomia e a oferta de moeda é portanto central para a teoria macroeconômica. Este trabalho apresenta a teoria pós-keynesiana da oferta de moeda endógena e mostra como ela é fundamentalmente diferente da teoria da oferta de moeda convencional. A abordagem convencional se baseia no multiplicador da moeda, e o crédito bancário permanece invisível. O artigo enfatiza a versão estruturalista da teoria pós-keynesiana que mantém a teoria de Keynes da preferência pela liquidez das taxas de juro de longo prazo e também reconhece que os bancos estão sujeitos a restrições financeiras que limitam suas atividades de empréstimo. O documento, em seguida, mostra como derivar o cronograma LM em uma economia monetária endógena, que é um prelúdio necessário para reconstruir o modelo ISLM.

Money is at the center of macroeconomics, which makes understanding the money supply central for macroeconomic theory. This paper presents the Post Keynesian theory of endogenous money supply and shows how it is fundamentally different from the conventional money supply theory. The conventional approach relies on the money multiplier and bank lending is invisible. Post Keynesian theory discards the money multiplier and focuses on bank lending which drives money creation. The paper emphasizes the structuralist version of Post Keynesian theory which retains Keynes’ liquidity preference theory of long term interest rates and also recognizes banks are subject to financial constraints that limit their lending activities. The paper then shows how to derive the LM schedule in an endogenous money economy, which is a necessary prelude to reconstructing the ISLM model.

 
   
A economia como objeto socialmente construído nas análises regulacionista e da Economia Social de Mercado
Miguel Bruno e Ricardo Caffe

O artigo discute os argumentos ontológicos em defesa das especificidades dos fenômenos econômicos, comparativamente aqueles encontrados nos sistemas inorgânico e orgânico. Sua posição epistemológica é antipositivista e antineoclássica, sustentando que a tentativa de naturalizar os sistemas socioeconômicos, que marca a Economia, desde os fisiocratas, tem contribuído para enfraquecer seu potencial heurístico, explicativo e preditivo. A problemática é desenvolvida partindo-se de uma análise comparativa entre a Teoria da Regulação e a Economia Social de Mercado, correntes teóricas onde o conceito de instituição e a historicidade inerente às relações de produção e de distribuição são consideradas centrais. Diferentemente dos objetos da natureza, cujas regularidades e processos não foram originalmente criados pela práxis humana, o objeto econômico é social e politicamente construído e precisa ter, portanto, estatuto teórico-metodológico específico. Em consequência, a pertinência das teorias face às regularidades micro e macroeconômicas observadas não pode ser alcançada por uma abordagem axiomática que faz da Economia uma ciência essencialmente lógico-dedutiva e a-histórica por construção, nem tampouco pela pressuposição da existência de leis gerais invariantes, puramente econômicas e inescapáveis.

This paper discusses the ontological arguments in favor of a methodological approach that recognizes the specific characteristics of economic phenomena, compared with those found in inorganic and organic systems. Their epistemological position is anti-positivist and anti-neoclassical because it rejects the attempt to analyses the socio-economic system by analogy with the physical and biological systems. In fact, this is a methodologic mistake, which occurs since the birth of Economic Science with the Phy siocracy. These physicalist and organicist views contributes to weaken the heuristic, explanatory and predictive ability of the economic theories. To explore this issue, the present paper starting with a comparative analysis of the Regulation theory and the Social Market Economy, theoretical currents where the concept of the institution and the historicity inherent in the production and distribution relationships are considered central. Unlike the objects of Physics and Biology, whose regularities and processes were not originally created by the human praxis, the economic object is socially and politically constructed and must have therefore specific theoretical and methodological status. Consequently, the relevance of the theories in the face of the observed economic regularities cannot be achieved by an axiomatic approach that makes the economy an essentially logical-deductive science and ahistorical by construction, nor the assumption of the existence of invariant general laws, purely economic and inescapable.

 
   
Monetary policy in the post Keynesian theoretical framework
Fabio Henrique Bittes Terra e Philip Arestis

O objetivo desta contribuição é desenvolver um modelo pós-keynesiano de política monetária, apresentando seus objetivos, instrumentos e canais de transmissão. A originalidade desta contribuição consiste, seguindo-se as propostas de Keynes (1936, 1945), em se instituir a administração de dívida como um dos instrumentos da política monetária, em conjunto com os tradicionais, taxa de juros e regulação. Ademais, o artigo constrói seu modelo teórico resgatando amplamente os escritos originais de John Maynard Keynes. Um modelo de política monetária erigido desta forma relaciona-se diretamente aos esforços pós-keynesianos de oferecer uma forma de condução da política monetária que seja alternativa ao Regime de Metas de Inflação, proposto pelo Novo Consenso Macroeconômico.

The purpose of this contribution is to develop a Post Keynesian monetary policy model, presenting its goals, tools, and channels. The original contribution this paper develops, following Keynes’s (1936, 1945) proposals, is the use of debt management as an instrument of monetary policy, along with the interest rate and regulation. Moreover, this paper draws its monetary policy model by broadly and strongly relying on Keynes’s original writings. A monetary policy model erected upon this basis relates itself directly to the Post Keynesian efforts to offer a monetary policy framework substantially different from the Inflation Targeting Regime of the New Macroeconomic Consensus

 
   
Raúl Prebisch e a concepção e evolução do sistema centro-periferia
Joaquim Miguel Couto

Este artigo descreve a trajetória profissional de Raúl Prebisch e, ao mesmo tempo, analisa sua contribuição teórica no momento em que buscava decifrar a história e os problemas do desenvolvimento econômico da América Latina. De assessor de ministros a direção do Banco Central Argentino, da CEPAL para a UNCTAD, batalhas não lhe faltaram. Enquanto trilhava suas funções públicas, Prebisch foi interpretando teoricamente o mundo em que vivia. Nasceu, assim, o sistema centro-periferia, que incluía as ideias do crescimento para dentro, a deterioração dos termos de intercâmbio e a luta pela industrialização através da substituição de importações.

This paper describes the career of Raul Prebisch and, at the same time, analyze his theoretical contribution when he tried to decipher the history and problems of economic development in Latin America. From adviser to ministers to the direction of the Argentine Central Bank, from ECLAC to UNCTAD he faced many battles. While worked in public positions, Prebisch was theoretically interpreting the world in which he lived. Thus emerged the core-periphery system, which included ideas of growth, the deteriorating terms of trade and the struggle for industrialization through import substitution.

 
   
Democracy and growth in pre-industrial countries
Luiz Carlos Bresser-Pereira

Este trabalho distingue três tipos de país (rico, de renda média e pré-industrial) e centra-se no último, que, ao contrário dos outros dois, não completou suas revoluções industrial e capitalista. Um país pré-industrial pode ser governado bem e sob a democracia? Hoje a democracia é um valor universal e, portanto, os países estão sob a pressão do Ocidente e de sua própria sociedade para serem democráticos, embora suas sociedades não sejam suficientemente maduras, nas quais o excedente econômico seja apropriado pelo mercado. De fato, nenhum país completou sua revolução industrial e capitalista no âmbito de uma democracia mínima. Além disso, o país pré-industrial é extremamente difícil de governar, porque ele geralmente não tem uma nação forte e estado capaz. Esta dupla pressão representa um grande obstáculo ao seu desenvolvimento.

This paper distinguishes three types of countries (rich, middle-income, and pre-industrial) and focus on the latter, which, in contrast to the other two, didn’t complete their industrial and capitalist revolutions. Can pre-industrial countries be governed well and under democracy? Today democracy is a universal value, and, so, these countries are under pressure from the West and from its own society to be democratic, even though they do not dispose of mature enough societies in which the economic surplus is appropriated through the market. In fact, no country completed its industrial and capitalist revolution within the framework of even a minimal democracy. Additionally, pre-industrial countries are extremely difficult to govern because they usually don’t have a strong nation and capable states. This double pressure represents a major obstacle to their development.

 
   
Capital account regulation in Brazil: an assessment of the 2009-2013 period
Luiz Fernando de Paula e Daniela Magalhães Prates

O Brasil foi um dos países emergentes que enfrentou fortes pressões de apreciação cambial entre o 2º trimestre de 2009 e julho de 2011. É sob este contexto que pode ser entendida a aplicação da Regulação da Conta Capital (CAR) depois de 2009, que foi complementada com outro tipo de regulação, a Regulação dos Derivativos Cambiais (FXDR). Este trabalho mostra que, somente quando o governo brasileiro adotou estes dois tipos de regulação simultaneamente, houve um aumento da eficácia das políticas em deter essas pressões. A experiência brasileira também revela que não é possível estabelecer uma hierarquia entre os instrumentos temporários para gerenciar fluxos de capital e medidas prudenciais permanentes, tal como defende a abordagem atual do FMI.

Brazil was one of the emerging countries that had a stronger trend of currency appreciation from the 2nd quarter of 2009 to July 2011. Under this context that can be understood the implementation of capital account regulation (CAR) after 2009, which was complemented with another kind of regulation, the so-called FX Derivatives Regulation (FXDR). This paper shows that only when Brazilian government adopted these two kinds of regulations simultaneously, the policy effectiveness increased in terms of protecting the Brazilian currency from upward pressures. Brazilian experience also highlights that it is not possible to establish a hierarchy between temporary instruments to manage capital flows and permanent prudential measures, as supported by the IMF current approach.

 
   
Por que o governo Dilma não pode ser classificado como novo-desenvolvimentista?
Marcelo Curado

Este artigo examina o papel da agenda novo desenvolvimentista para as ações na área econômica do governo Dilma Rousseff. O artigo pretende contribuir para a área de pesquisa que examina a relevância de escolas do pensamento econômico para a política econômica no Brasil. A conclusão central é que – a despeito da elevação da intervenção do Estado na economia – nós não podemos argumentar que a agenda novo desenvolvimentista jogou um papel importante no governo Dilma Rousseff. A ausência de uma “estratégia nacional de desenvolvimento” e de elementos essenciais da política macroeconômica novo desenvolvimentista suportam esta conclusão.

This paper examines the role of new developmentalist agenda for actions in the economic area of Dilma Rousseff's government. The paper aims to contribute to the research area that examines the relevance of schools of economic thought to economic policy in Brazil. The central conclusion is that - despite the increase in the state intervention in the economy - we cannot argue that the new developmentalist agenda played an important role in Dilma Rousseff's government. The absence of a "national development strategy" and essential elements of the new developmentalist macroeconomic policy support this conclusion.

 
   
The Euro and the recent european crisis vis-à-vis the gold standard and the great depresssion: Institutionalities, specificities and interfaces
Giuliano Contento de Oliveira e Paulo José Whitaker Wolf

O artigo busca estabelecer interfaces entre a Grande Depressão dos anos 1930 sob o Padrão Ouro e a Crise Europeia recente sob o Euro. Argumenta-se que, a despeito de suas especificidades, as duas crises revelaram os efeitos potencialmente nocivos, em termos econômicos e sociais, de arranjos institucionais que reduzem consideravelmente a autonomia das políticas monetária, fiscal e cambial dos países participantes, sem, entretanto, serem acompanhados pelo aumento da cooperação liderado por uma potência hegemônica, em âmbito global (no caso da Grande Depressão) ou regional (no caso da Crise Europeia), que não apenas seja capaz, mas que também esteja disposta a exercer as funções de comprador e emprestador de última instância, sobretudo em momentos caracterizados pelo aumento da incerteza, pela deterioração do estado geral das expectativas e pelo aumento da preferência pela liquidez. De fato, tanto os países do centro europeu no passado como os países da periferia europeia no período recente foram efetivamente empurrados em direção a ajustes deflacionários em que a redução de preços e salários foi acompanhada pela redução da produção e do emprego. Assim, na ausência da possibilidade de se restaurar a autonomia de política econômica, a superação da crise pressupõe, tanto antes – sob o padrão ouro – como atualmente – sob o Euro –, ações conjuntas destinadas a assegurar que a responsabilidade do ajuste seja distribuída igualmente entre as economias e que, portanto, algumas delas não sejam beneficiadas à custa de outras nesse processo.

The paper aims to establish interfaces between the Great Depression of the 1930s under the Gold Standard and the recent European Crisis under the Euro. It is argued that, despite their specificities, both crises revealed the potentially harmful effects, in economic and social terms, of institutional arrangements that considerably reduce the autonomy of monetary, fiscal and exchange rate policies of participating countries, without being accompanied by increased cooperation between them, which should be led by a global (in the case of the Great Depression) or regional (in the case of the European Crisis) hegemonic power, which is not only capable of, but is also willing to act as a buyer and lender of last resort, especially in circumstances characterized by increased uncertainty, the deterioration of the general state of expectations and increased liquidity preference. In fact, central European countries in the past and peripheral European countries nowadays were effectively pushed toward deflationary adjustments in which a reduction of prices and wages was accompanied by a reduction of output and employment levels. Thus, in the absence of the possibility of restoring the autonomy of economic policy, the overcome of the crisis necessarily requires, both before – under the Gold Standard - and nowadays – under the Euro –, joint actions aimed to assure that the responsibility for the adjustment will be equally distributed among all the economies, in order to avoid that some of them benefit at the expense of the others in this process.

 
   
Why was there no capitalism in early modern China?
Tiago Nasser Appel

 

Neste artigo, lançamos a seguinte pergunta: por que a China do Início da Idade Moderna não conseguiu fazer a transição para o capitalismo, tal como viemos a conhecê-lo no Ocidente? Embora a China estivesse à altura da Europa em características econômicas chave – comercialização e comodificação de bens, terra e trabalho – até o século XVIII, nós sugerimos que ela não embarcou em uma trajetória de acumulação capitalista por causa do “Fato do Império”. Carecendo do nível de dificuldades fiscais encontradas na Europa do Início da Era Moderna, a China Imperial não precisou taxar pesadamente os comerciantes e os notáveis; portanto, ela não precisou negociar direitos e obrigações com a classe mercantil. De forma mais inovadora, também propomos que a relativa falta de dificuldades fiscais na China militou contra o desenvolvimento de uma “simbiose virtuosa” entre a taxação, a monetização da economia e a dívida pública. Falamos em “simbiose virtuosa” porque foi, essencialmente, a mobilização dos recursos sociais – via dívida pública e impostos – em prol da manutenção de uma força militar o que criou as primeiras grandes oportunidades para os comerciantes e banqueiros acumularem uma riqueza sem precedentes.

In this paper, we ask the following question: why couldn’t Early Modern China make the leap to capitalism, as we have come to know it in the West? We suggest that, even if China compared well with the West in key economic features – commercialization and commodification of goods, land, labor – up to the 18th century, it did not traverse the path to Capitalism because of the “fact of empire”. Lacking the scale of fiscal difficulties encountered in Early Modern Europe, Late Imperial China did not have to heavily tax merchants and notables; therefore, it did not have to negotiate rights and duties with the mercantile class. More innovatively, we also propose that the relative lack of fiscal difficulties meant that China failed to develop a “virtuous symbiosis” between taxing, monetization of the economy and public debt. This is because, essentially, it was the mobilization of society’s resources – primarily by way of public debt or taxes – towards the support of a military force that created the first real opportunities for merchants and bankers to amass immense and unprecedented wealth.

 
   
Transformações na estrutura produtiva global, desindustrialização e desenvolvimento industrial no Brasil
Celio Hiratuka e Fernando Sarti

Este artigo tem como principal objetivo destacar as principais transformações da economia global que condicionam o desenvolvimento industrial brasileiro e suas possibilidades de avançar em direção a uma estrutura produtiva mais robusta. Argumenta-se que o debate sobre a desindustrialização no Brasil, embora tenha tido uma importante contribuição para ressaltar a importância da indústria para o desenvolvimento econômico, não aprofundou a discussão sobre os limites e possibilidades de desenvolvimento industrial brasileiro por não considerar adequadamente estas transformações, associadas principalmente ao acirramento da concorrência global e à reorganização das grandes empresas transnacionais.

This paper aims to highlight the major changes in the global economy that affect Brazilian industrial development and mark out the strategies that could move the country toward a more robust productive structure. It is argued that the debate on deindustrialization in Brazil, although it had an important contribution to highlight the importance of manufacturing for economic development, did not deep the discussion about the limits and possibilities of Brazilian industrial development. That debate did not adequately consider those changes in the global economy, related to the more fierce global competition scenario and to the changes in the strategies of Transnational Corporations.

 
   
Uma perspectiva realista crítica sobre ação coletiva em economia
Thiago Duarte Pimentel e Rodrigo Siqueira Rodriguez

A visão predominante na economia tradicional assume que o objeto de análise das relações econômicas é o indivíduo, seja pela interação econômica entre eles (troca) seja pela interação econômica entre indivíduos e coisas (produção). Dificilmente a ciência econômica assume suposições a respeito de indivíduos organizados coletivamente. Em geral, quando o faz, assume que estas formas sejam um efeito agregado das ações individuais isoladas, ensejando assim uma posição baseada no individualismo metodológico. Em microeconomia, por exemplo, uma afirmação sobre um grupo de indivíduos, uma firma ou mesmo a sociedade, assume necessariamente que suas ações sejam abordadas a partir dos efeitos de maximizações individuais, ainda que isso exija a generalização de condições rígidas sobre o comportamento humano, improváveis para sustentar as crenças e desejos individuais. Esse trabalho tem como objetivo apresentar um modelo de análise alternativo àquele paradigma, que simultaneamente esteja comprometido com uma análise realista e incorpore elementos contextuais e empíricos alusivos à conduta humana. Situando nosso foco no nível mesossociológico de análise, argumentamos que a análise da ação coletiva, fundamentada no realismo crítico, constitui-se numa alternativa para direcionar os estudos em economia.

The mainstream of traditional economics assumes that the analyses of the economic relations is the individual, by the economic relationship among themselves (exchange) or by the economic relationship among individuals and things (production factors). Hardly the economical science takes assumptions about collectively organized individuals. In general, when it is done, it assumes that it is an effect of aggregate actions of isolated individuals, which means it lays on the grounds of methodological individualism. In microeconomics, for example, a statement about a group of individuals, a firm or a society, necessarily assumes that their actions are aggregate from the effects of individual optimizations, even if this requires very strict conditions for the individual beliefs and desires. This paper aims to present an alternative analytical framework to that paradigm, simultaneously compromised with a realist analysis and incorporating empirical and contextual elements allusive to human conduct. Positioning our emphasis in the meso-sociological level of analysis, we argue that the analysis of collective action, informed by critical realism, could be an alternative to drive the study of economics

 
   
A balança comercial é uma restrição ao crescimento econômico dos estados brasileiros? Uma análise para o período de 1991 a 2009.
Felipe de Souza Bastos, Guilherme Irffi e Ivan Castelar

Este trabalho investiga se há de fato uma restrição imposta pelo balanço de pagamentos – via relação entre as elasticidades renda das importações e das exportações – sobre o crescimento econômico dos estados brasileiros. Em outros termos, verifica-se a validade da Lei de Thirlwall para a economia dos estados brasileiros no período de 1991 a 2009. Para tanto, estima-se as referidas elasticidades por meio do estimador para painéis dinâmicos system-GMM, que contorna, além dos problemas clássicos de estimação, o viés de endogeneidade do painel dinâmico. Os resultados apontam para a validade da lei, visto que a elasticidade-renda das importações mostrou-se superior a elasticidade-renda das exportações.

This paper investigates whether there is a restriction imposed by the balance of payments – through the relationship between income elasticities of imports and exports - on the economic growth of Brazilian states. In other words, it checks the validity of Thirlwall's Law to the Brazilian states in the period from 1991 to 2009. These elasticities were estimated using the dynamic panel estimator system-GMM, which circumvents the classical endogeneity problem inherent to dynamic panels. The results point out to the validity of the law, since the income elasticity of imports was higher than the income elasticity of exports.

 
   
Cooperação monetária: uma análise sobre o SUCRE
Alexandre Jerônimo de Freitas e Marcelo Pereira Fernandes

A iniciativa do Sistema Único de Compensação Regional de Pagamentos, o SUCRE, acertado entre os principais países que compõe a ALBA, nasceu num contexto internacional de grande turbulência provocado pela crise financeira de 2008. Ainda em processo de consolidação, o sistema possui metas ambiciosas, entre elas a dissociação progressiva do uso do dólar. O objetivo deste artigo é analisar o SUCRE em vigor desde janeiro de 2010. A iniciativa poderá se tornar um passo fundamental para construção de uma nova arquitetura financeira regional que reduza a vulnerabilidade externa e as assimetrias estruturais da região.

The initiative of the Unified System for Regional Compensation, the so-called SUCRE, concerted between the main countries that comprise ALBA, born in a context of great international turmoil caused by the financial crisis of 2008. Still in the consolidation process, the system has very ambitious goals, including the use of the progressive decoupling of the dollar. The aim of this paper is to analyze the SUCRE in force since January 2010. The initiative may be a key step towards construction of a new regional financial architecture to reduce external vulnerability and structural asymmetries in the region.

 
   
DOCUMENTO: Marxista e pós-Keynesiana
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo
 
 
     
 
     
     
 
The Brazilian Journal of Political Economy counts with the support of the following corporations:
 
   
   
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Revista de Economia Política - ISSN 1809-4538
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